Saúde

Diabetes Mellitus Tipo 2

Diabetes Mellitus Tipo 2

Diabetes Mellitus: Contexto Geral

Diabetes Mellitus (DM) é um importante e crescente problema de saúde para todos os países, independentemente do seu grau de desenvolvimento. Em 2015, a Federação Internacional de Diabetes (International Diabetes Federation, IDF) estimou que 8,8% da população mundial com 20 a 79 anos de idade (415 milhões de pessoas) vivia com diabetes. Se as tendências atuais persistirem, o número de pessoas com diabetes foi projetado para ser superior a 642 milhões em 2040. Cerca de 75% dos casos são de países em desenvolvimento, nos quais deverá ocorrer o maior aumento dos casos de diabetes nas próximas décadas.

No Brasil, no final da década de 1980, estimou-se em 7,6% a prevalência de diabetes na população adulta e não foram observadas diferenças com significância estatística na prevalência do diabetes quanto à cor da pele. Em 2013, a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Ministério da Saúde, estimou que 6,2% da população brasileira com 18 anos de idade ou mais referiu diagnóstico médico de diabetes, sendo de 7,0% nas mulheres e de 5,4% nos homens,

O aumento da prevalência do diabetes está associado a diversos fatores, como: rápida urbanização, transição nutricional, maior frequência de estilo de vida sedentário, obesidade, crescimento e envelhecimento populacional.

Pelo fato de o diabetes estar associado a maiores taxas de hospitalizações, maior utilização dos serviços de saúde, bem como maior incidência de doenças cardiovasculares e cerebrovasculares, cegueira, insuficiência renal e amputações não traumáticas de membros inferiores, pode-se prever a carga que isso nos representará futuramente.

Diabetes e suas complicações constituem as principais causas de mortalidade precoce na maioria dos países; aproximadamente 5 milhões de pessoas com idade entre 20 e 79 anos morreram por diabetes em 2015, o equivalente a um óbito a cada 6 segundos, ou seja, com o envelhecimento populacional do Brasil atualmente, o diabetes certamente passará a ter maior contribuição para a mortalidade no pais.

Complicações e doenças associadas ao diabetes

Tradicionalmente, as complicações do diabetes são categorizadas como distúrbios microvasculares e macrovasculares, que resultam em retinopatia (lesão ocular), nefropatia (lesão renal), neuropatia (sensibilidade de pés e membros inferiores alterada), doença coronariana, doença cerebrovascular e doença arterial periférica. O diabetes tem sido responsabilizado, entretanto, por contribuir para agravos, direta ou indiretamente, no sistema musculoesquelético, no sistema digestório, na função cognitiva e na saúde mental, além de ser associado a diversos tipos de câncer. Deve ser lembrado que o diabetes aumenta a gravidade de várias doenças endêmicas, como tuberculose, melioidose e infecção pelo vírus da dengue.

Além de representar uma importante carga financeira para indivíduos portadores e suas famílias, em razão dos gastos com insulina, antidiabéticos orais e outros medicamentos essenciais, o diabetes também tem um relevante impacto econômico nos países e nos sistemas de saúde. Isso decorre de maior utilização dos serviços de saúde, perda de produtividade e cuidados prolongados requeridos para tratar suas complicações crônicas, como insuficiência renal, cegueira, problemas cardíacos e pé diabético. A maioria dos países despende em casos de diabetes entre 5 e 20% do seu gasto total com saúde. Com esse custo elevado, o diabetes é um importante desafio para os sistemas de saúde e um obstáculo para o desenvolvimento econômico sustentável.

Conceito e classificação do diabetes mellitus

O Diabetes Mellitus (DM) consiste em um distúrbio metabólico caracterizado por hiperglicemia persistente, decorrente de deficiência na produção de insulina ou na sua ação, ou em ambos os mecanismos, ocasionando complicações em longo prazo. A classificação do DM tem sido baseada em sua etiologia (causa), detalhes no Quadro 1. Os fatores causais dos principais tipos de DM – genéticos, biológicos e ambientais – ainda não são completamente conhecidos.

Quadro 1. Classificação etiológica do D.M.

DM Tipo 1

– Tipo 1A: deficiência de insulina por destruição autoimune das células β comprovada por exames laboratoriais;

– Tipo 1B: deficiência de insulina de natureza idiopática.

DM Tipo 2

Perda progressiva de secreção insulínica combinada com resistência à insulina

DM Gestacional

DM Gestacional: hiperglicemia de graus variados diagnosticada durante a gestação, na ausência de critérios de DM prévio

Outros tipos de DM

  • Monogênicos (MODY – Maturity-Onset Diabetes of the Young);
  • Diabetes neonatal;
  • Secundário a endocrinopatias;
  • Secundário a doenças do pâncreas exócrino;
  • Secundário a infecções;
  • Secundário a medicamentos.

Fonte: Adaptado de American Diabetes Association; 2017.3

Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM2)

O Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM2) corresponde a 90 a 95% de todos os casos de DM. Possui origem complexa e multifatorial, envolvendo componentes genéticos e ambientais. Tradicionalmente, o DM2 tem sido descrito como próprio da maturidade, com incidência após da quarta década de vida, embora se descreva, em alguns países, aumento na sua incidência em crianças e jovens. Trata-se de doença poligênica, com forte herança familiar, ainda não completamente esclarecida, cuja ocorrência tem contribuição significativa de fatores ambientais. Dentre eles, alimentação não planejada, sedentarismo e inatividade física, que contribuem para a obesidade, destacam-se como os principais fatores de risco. Em pelo menos 80 a 90% dos casos, associa-se ao excesso de peso, principalmente gordura abdominal, colesterol alto e hipertensão arterial.

O desenvolvimento e a perpetuação da hiperglicemia ocorrem concomitantemente com outros parâmetros metabólicos como: hiperglucagonemia, resistência dos tecidos periféricos à ação da insulina, aumento da produção hepática de glicose, disfunção incretínica (hormônios reguladores de glicose), aumento de lipólise e consequente aumento de ácidos graxos livres circulantes, aumento da reabsorção renal de glicose e graus variados de deficiência na síntese e na secreção de insulina pela célula β pancreática.

Na maioria das vezes, a doença apresenta poucos ou nenhum sintoma por longo período, sendo o diagnóstico realizado por dosagens laboratoriais de rotina ou manifestações das complicações crônicas. Com menor frequência, indivíduos com DM2 apresentam sintomas clássicos de hiperglicemia:

  • Poliúria (eliminação de urina aumentada)
  • Polidipsia (muita sede)
  • Polifagia (fome com consumo maior de alimentos do que o habitual)
  • Emagrecimento inexplicado

É mandatório para indivíduos com sinais e sintomas coleta de exames para confirmação diagnóstica de DM2. Ainda que não apresentando sintomas, a presença de fatores de risco já impõe rastreamento para diagnóstico precoce. Se a investigação laboratorial for normal, sugere-se repetição do rastreamento em intervalos de 3 anos ou mais frequentemente, se indicado conforme consulta médica.

Diagnóstico

O diagnóstico laboratorial do Diabetes Mellitus (DM) pode ser realizado por meio de glicemia de jejum, glicemia 2 horas após teste oral de tolerância à glicose (TOTG) e hemoglobina glicada (HbA1c). Não existem outros testes laboratoriais validados e recomendados para essa finalidade. Os valores adotados pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) para cada um desses parâmetros são os mesmos recomendados pela Associação Americana de Diabetes (American Diabetes Association, ADA) e encontram-se descritos na Tabela 1 abaixo.

Tabela 1. Critérios diagnósticos para DM recomendados pela ADA e pela SBD

Exame Normal Pré Diabetes Diabetes
Glicemia de jejum (mg/dL) < 100 100 a 125 ≥ 126
Glicemia 2h após TOTG com 75g de glicose < 140 140 a 199 ≥ 200
Hemoglobina glicada (%) < 5,7 5,7 a 6,4 ≥ 6,5

Resumidamente merece pesquisa diagnostica valores de glicemia de jejum maiores que 100mg\dl, após teste oral de 140mg\dl e HbA1c superior a 5,7%.

É objetivo do tratamento do paciente com diabetes mellitus (DM) o bom controle metabólico, mantendo níveis normais de glicemia, diminuindo, assim, os riscos de complicações micro e macrovasculares.

No momento do diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2 (DM2), além de orientar mudanças no estilo de vida (educação em saúde, alimentação e atividade física), o médico costuma prescrever um agente antidiabético oral escolhido de acordo com as particularidades de cada paciente.

Diferentemente do que ocorre no diabetes mellitus tipo 1 (DM1), em que 100% dos pacientes precisam de injeções de insulina no tratamento, a maioria dos pacientes com diabetes mellitus tipo 2 (DM2) não utiliza insulina inicialmente após o diagnóstico, sendo que seu uso pode se fazer necessário durante o tempo de desenvolvimento da doença. Normalmente, têm-se uma resistência no uso da insulina no tratamento do DM2 o exõe os pacientes às consequências decorrentes do mau controle metabólico por tempo prolongado.

O indivíduo com diabetes e o seu cuidador, quando for o caso, além da família e da sociedade em geral, precisam estar cientes da importância de um estilo de vida saudável não só para o controle como também para a prevenção do diabetes. Programas educativos e serviços de atenção ao diabetes precisam, portanto, ser estimulados e disseminados no território nacional, tanto na área pública como na área privada.

Links

Sociedade Brasileira de Diabetes: diabetes.org.br
American Diabetes Association: diabetes.org


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Drª. Thais Ribeiro Mingorance Tozini

Drª. Thais Ribeiro Mingorance Tozini

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